Saúde e interculturalidade: conhecimento, assimetrias e lugares comuns

Autores

  • Gastón Consejo Nacional de Investigaciones Científicas y Técnicas – CONICET, Facultad de Ciencias de la Salud y Trabajo Social, Universidad Nacional de Mar del Plata – MDP, Mar del Plata, Argentina. https://orcid.org/0000-0002-8112-2119
  • María Florencia Incaurgarat Facultad de Ciencias de la Salud y Trabajo Social, Universidad Nacional de Mar del Plata – MDP, Mar del Plata, Argentina https://orcid.org/0000-0002-0852-0735

Resumo

Seja como instrumento teórico eficaz, clichê discursivo ou apelo moral, a análise da interculturalidade como parte constitutiva do processo saúde-doença-cuidado e do cuidado faz parte cada vez mais do cotidiano dos profissionais de saúde. No entanto, esse aparente e crescente consenso nem sempre é acompanhado por um uso efetivo de abordagens socioantropológicas que possibilitem superar as limitações do conhecimento biomédico ou do uso do seu sentido comum. Este artigo analisa alguns dos usos frequentes do termo “cultural”, que não propõem abordagens abrangentes e de superação do ideário biomédico. Para tanto, a partir de algumas experiências de uma terapeuta ocupacional em formação em antropologia, são utilizados alguns casos etnográficos que permitem mostram a relevância de se contar com sólidos instrumentos teóricos e metodológicos a fim de minimizar um uso “assimétrico” da noção de cultura. Isto implica que “o cultural” tende a ser visto como um exotismo ou mesmo uma irracionalidade que só merece uma análise cuidadosa quando os pacientes pertencem a grupos e coletivos que contrastam marcadamente com a nossa suposta normalidade. Ao contrário, tenta mostrar que “o cultural” é constitutivo dessa normalidade cotidiana das pessoas que utilizam o sistema de saúde.

Publicado

2022-09-21

Como Citar

Gastón Julián, & Incaurgarat, M. F. (2022). Saúde e interculturalidade: conhecimento, assimetrias e lugares comuns. Cadernos Brasileiros De Terapia Ocupacional, 30, e3334. Recuperado de https://www.cadernosdeterapiaocupacional.ufscar.br/index.php/cadernos/article/view/3334

Edição

Seção

Artigo de Reflexão ou Ensaio