Aspectos sensoriais envolvidos nas dificuldades alimentares no transtorno do espectro autista
DOI:
https://doi.org/10.1590/2526-8910.cto288737491Palavras-chave:
Autismo, Transtornos Sensoriais, Desenvolvimento InfantilResumo
Introdução: Aproximadamente 90% das pessoas com transtorno do espectro autista (TEA) apresentam alterações no processamento sensorial, demonstrando inabilidade para registrar, modular, interpretar e/ou responder às informações sensoriais provenientes do ambiente. Esse cenário pode afetar a alimentação desses pacientes, gerando dificuldades alimentares, como a seletividade alimentar. Objetivos: Identificar e comparar o processamento sensorial e possíveis alterações do comportamento alimentar em pacientes com TEA com dificuldades alimentares (CDA) e sem dificuldades alimentares (SDA). Método: Estudo caso-controle com 32 pacientes com TEA (4 a 11 anos), conduzido em duas etapas: (1) revisão de prontuários e (2) aplicação de questionários para avaliação clínica de dificuldades alimentares (BRCA-TEA) e dos aspectos sensoriais (Perfil Sensorial 2). Resultados: Foram observadas diferenças significativas nos critérios de sensibilidade geral (p = 0,050), visual (p = 0,059) e oral (p = 0,000). As escolhas alimentares foram influenciadas por textura e consistência, com 50% preferindo alimentos secos e crocantes “quase sempre” e 21,4% “frequentemente”. Além disso, 57,1% do grupo CDA mantinham o mesmo cardápio em cada refeição e 28,6% exigiam que os alimentos fossem servidos da mesma forma. Conclusão: Os aspectos sensoriais podem estar intimamente relacionados às dificuldades alimentares e a identificação precoce das manifestações clínicas contribui não apenas para uma intervenção específica e correta, mas também pode garantir um desenvolvimento adequado no que concerne ao estado nutricional desse grupo. Avaliações específicas, por meio de questionários validados, aliadas à observação clínica, são indicadas para a melhor identificação das manifestações clínicas apresentadas.
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